terça-feira, 25 de outubro de 2011

Epifanias - Parte I

"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"



Caio F

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Um Andróide sem par

Não sei se porque em algum momento desisti dos outros que agora tenho a impressão de que desistiram de mim. Só sei que parece que quanto mais conhecemos uma pessoa mais estamos propícios a nos decepcionarmos. Uma pena. Porque eu também estou desistindo de mim. Não de um todo. De uma parte. Eu não estou conseguindo seguir em frente com coisas que eu realmente não me envolva. Coisas que não nasci pra fazer. Estou chutando o pau da barraca mesmo pela primeira vez sem dó em nome do meu bem-estar. Tento manter o equilíbrio. Eu estou um saco, um caco espalhado, dividido, fragmentado demais e questionando sobre tudo! Quem são esses amigos de fato? Me encontro numa fase bem crítica da minha vida, e cadê as velhas pessoas que falaram que me ajudariam quando eu mais precisasse? Tá, eu sei. Cada um está cuidando do seu mundinho e fazendo a faxina na própria bolha. E eu? É excesso de carência ou egoísmo extremo? Seja o que for, eu estou bem aqui fora. Puro olhar distanciado, mas o andróide dentro está bem só... Bem triste... Esperançoso também, mas não bem. É tanta dor, tanta solidão que a tentativa de me descrever não chega a quem escuta. Vira piada. Talvez eu devesse dar atenção às pessoas certas. Eu estou bem (eu estou bem, eu estou bem...). Bem só... Bem só... Não bem... Muito só. 

Juão Nin 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

À meia-noite

                                                   Amanhã à meia-noite volto a nascer. Então, brindemos à vida – talvez seja esse o nome daquele cara, e não o que você imaginou. (Caio F.)



              Hey baby, senta aqui, me deixa te falar. Sabe, eu tenho senso de urgência. Aquele senso de urgência de algo. Um corpo quente, um cheiro inebriante, um olhar intenso, denso. Algo extremamente envolvente que me dilacere os sentidos, me deixando completamente inerte. Algo transcendental, e revigorante. Sim, revigorante. Apaixonadamente revigorante. Aquela sensação gostosa de que o mundo poderia acabar ali mesmo, naquele instante.
              Há muito não tomo esse drink, e há muito não sentia essa distância cósmica entre a emoção e a razão. É que eu já não mais dispunha de qualquer sentimento doce, e ser racional me parece um tanto quanto inteligente. Já te falei que acho inteligência afrodisíaca? Pessoas inteligentes me tiram do sério. Yeah baby, pessoas envolventes e inteligentes. E ser sentimental meu caro, está fora de moda. É meio down, doloroso. Já não quero mais ser assim. Não me faz falta ser assim. Prefiro aflições cotidianas como a cotação do dólar, ou qual vestido usarei na próxima reunião.
             Pensando bem meu bem, tu poderias me aparecer na próxima reunião. E eu imitaria aquela cena clássica do cinema, com aquela atriz loira famosíssima cujo nome não me recordo agora. Enfim, faria igual à loira do cinema. Cruzaria minhas pernas envoltas em um vestido básico preto ultra sexy lentamente. E faria isso só para te desconcertar. Ou talvez não. Talvez não te fizesse nada. Não é tão legal assim brincar com você. Você é capaz de amar, e nós não sabemos quantas vezes um coração pode ser destroçado e continuar batendo. 
            Vem cá querido, chega mais perto. Tenho mais coisas a te contar, como por exemplo, as teorias que crio para os escuros embaixo dos meus pés. Naquelas noites de total tormenta, basta fechar os olhos e me imaginar em meio a tempestade e consigo desmanchar o olho do furacão. E não, eu não estou atordoada. Por favor não pense isso de mim. Esse drink não faz efeito, nem sequer me faz esquecer. Provavelmente nenhuma garrafa inteira do melhor vinho disponível aqui surtaria efeito. Nem você me faz efeito. 
             Ah! Está me batendo aquela vontade de te beijar e sentir seu cheiro. Eu tenho muitos planos. Na verdade, não tenho nenhum. Nenhum plano para conseguir saciar essa sede de te ter. Então querido, relaxa. Não vou te seduzir. Ambos somos adultos e não gostamos de chantagens ou aproveitamentos de situações debilitadas. Mas imagino sua boca em contato com a minha soltando seu ar quente de hálito fresco, calmaria desmedida, refúgio e além, enquanto esta desce pelo meu pescoço e me enche de beijos. Pura fantasia. Estamos cientes, mesmo depois destes cinco ou seis copos vazios, do nosso medo de ter medo desta nossa paixão que não foi recíproca, simplesmente nos tome esta noite.
             E não olha pra mim e não sorri. Seu sorriso também não vai ter influências em meu corpo, nem gerar endorfinas ou qualquer outro hormônio que me faça sair daqui agora e ter você. Seria necessário muito mais baby. Apesar de toda a imaginação de agora a pouco, seria necessário muito ainda. E saiba que eu vou te contaminar com meu perfume viciante, contagioso, venenoso, mortal. Meu cheiro vai ficar impregnado nas paredes de suas lembranças. Vai te perturbar por um longo período de tempo. Absurdamente atormentante. Eu vou adorar imaginar seu rosto se contorcendo ao lembrar de mim. Mas você? Me diz aí o que achas que vai ocorrer a mim quanto a você? Eu te respondo meu bem: Nada! Claramente nada. Sua companhia não se faz tão importante ao ponto de ser inesquecível e latente. Vou te perturbar a cabeça. Nós sabemos disso. Fato.
            Olha, o garçom se aproxima. Creio que ele já tenha percebido esses olhos vazios. Pedirei a ele que ponha Damien Rice para cantar agora. Talvez ao ouvir o refrão ele entenda que estes olhos estão vazios por não conseguir parar de te olhar. 
            Mas afinal, vejam só. Já estou entrando em contradição. A pouco defendia o fato de já não sentir nada. E me bastou 1/3 da noite ao seu lado para perceber que o que faz parte da gente, bem no íntimo, no ínfimo, nunca nos abandona. Porém, eu vou levantar, erguer a cabeça e sair, rumo a um futuro que, sabe-se lá qual vai ser, mas vai ser. Há de haver. Seja o que for. 
           De repente, vou mesmo alçar vôo daqui. Sairei em meio a multidão que sai de bares e baladas em busca de uma noite cheia de amor, esbarrando em todos os seus sentimentos, me sentindo viva por saber que, ao sair de seu contato lastimável, voltarei a abissal distância de nossos corpos que traduzem-se na real distância entre o racional e o passional dentro de mim.
           Fica bem e cuidado na esquina. Depois da meia-noite, nunca sabemos o que nos pode acontecer. Aponta pra fé e rema, afinal, a vida sempre continua. E se precisar escolher um caminho, escolhe o da esquerda, pois no da direita, de tão certinho que é, há solidão na espreita.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Solidão

...é um buraco negro no espírito
...é casamento sem amor
...é vitória sem platéia
...é alegria sem estréia
...é o gozo dos que não existem
...é a festa dos abortados
...é o enterro dos que não morreram
...é o nascimento dos não desejados
...é um pôr-do-sol em companhia de cegos
...é uma ilha deserta sem amante
...é uma tormenta sem abrigo
...é a angústia sem amigo
...
 ...é saber sem poder compartilhar
...é arder de amor sem poder falar
...é ter prazer para dar e ninguém para receber
...é rolar na cama e não achar alguém para abraçar
...é fazer amor com a própria mão
...é nascer em casa de muitos e não ter irmão

 (Rev. Caio Fábio)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Olhos de ressaca

Nesse mundo onde tantos olhos se esvoassam sobre o liquido turvo de suas meras convenções,
deixarei minha alma se diluir sobre teus abraços ... 

Que minha carne se torne parte de uma eternidade marcada que quando nao te houver mais lagrimas, possa te dar meu sangue mesmo que amargo ...
E como ferida de lágrimas... Em meu peito te guardo esses olhos de ressaca ...
Guardo pela o fim da reciproca vida que encontrei em meio a doces abraços ..
Coisas que subvertem o tempo que vivo... O que me passa no peito...
Coisas que gelidam o espaço... Conservam a existencia...
E permanece imutavel todo e qualquer intocavel de suas mãos que massacram e arruaçam colicas na alma ...
E no fim ... No fim sempre havera silencio... E no fim ... No fim sempre ha gritos ...
E no fim... No fim só restara o eterno que restou de nós dois.







Belas palavras do meu querido amigo Hugo Bessa dedicadas a mim.


Amo-te Huguiinho s2

sábado, 27 de agosto de 2011

Seize the night, gury



É pra você que escrevo. Mas os escritores vezenquando não são fiéis. As pessoas os amam pelos sentimentos que os mesmos matam.


Estava procurando meus livros de Caio F. Precisava avidamente respirar o Caio. Olhei para a capa de “Pequenas Epifanias”. Recordei tudo. Devorei contos. Me deu vontade de escrever. Escrever especificamente, na verdade. Tenho esse hábito. Escrevo para quem entra no meu círculo e torna-se especial.
Não quero palavras poéticas. Quero traduções organizadas do que quero te dizer. Imaginar você tocando a tela ao se perder nisso aqui que mais parece um labirinto de idéias. Decido, escrever-te-ei. Assinarei só para você, como Valentina, para combinar com seu nome de origem espanhola. E colocarei também um local falso. O nosso local. Será nosso segredo.
Então, bem no alto dessa estranha natureza, no meu quarto, aumento ao máximo o volume do meu aparelho de som portátil, encaixando bem os fones, para que o agudo solo da guitarra mais alternativa arrebente os tímpanos, os meus, só.
Mais nítido, no entanto esguio, você me apareceu – e clack -, o desmontei guardando-o, ou melhor, escondendo-o na caixa de Nescau cereal que estava a comer. Porque queria guardar a sensação. Pronto, falei.
Está frio, sabe? A noite está fria agora. Penso em coisas absurdas produzidas pelo frio. Imagino um penhasco. Uma praia paradisíaca. Tanto faz. Sinto a chuva limpando-me, lavando-me as impurezas, retirando as energias negativas. Banho de mar também é bom pra essas coisas. Dizem. Enfim.
Estou tão absorta nisso que esqueço que estava à espera do som do telefone tocando. Ou a espera do som de uma mensagem súbita com alguém pedindo pra conversarmos futilidades diárias a fim de fugir da solidão convencional por alguns instantes. Penso que, ao invés de esperar, poderia ligar. Se eu ligasse, eu iria te falar tanta, mas tanta coisa. Iria falar das cartas do tarô e dos meus dez destinos mais prováveis como sugere os ‘Móveis’. Talvez não te fosse interessante. Porém, me é interessante ouvir o cara cantando “me-acenou-um-beijo-de-paz-virou-minha-cabeça” e lembrar nossas conversas, raras-intensas aparições.
No ponto alto do meu devaneio, aqui, enquanto te escrevo, entrelaço palavras, trocadas de forma sincera, obtenho resultados, extraio o necessário, enxugo o que convém. Detidamente. Pois quando conversamos, o teu momento passa a ser o meu instante. E Se você se sentir apunhalado agora por essas palavras, é porque é para você, para você que escrevo. Sem mais. Confio.
Acho que não dissertei tudo o que queria. O que você queria. Expus o necessário na ocasião. Ah! Olhar as ruas enquanto observamos pessoas é um programa que se faz com quem nos cativa. Não tinha te falado disso ainda? Perdoe minha memória. Mas é bom que eu tenha mistérios para que alguém os quebre, como quando alguns foram quebrados no momento em que o som do silêncio foi cortado pela sua ligação.
E só pra constar, quando contava os quadrados da calçada naquela noite, senti a responsabilidade do afeto surgido, e a noite olhando profundamente para nós.


Valentina

Machu Picchu, 25 de agosto de 2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Diálogo conjugal

Aptº 503


            Chegando em casa do trabalho, boa-noite, um vago beijo, e os movimentos sempre reiniciados.
                 Porém não aquela noite. Depois do cumprimento, em vez do beijo, recebeu da mulher uma luz de incompreensão.
                 -Wrts? - peguntou ela. Ou assim lhe pareceu.
             Impressão de ter ouvido mal. Repetição de tudo. E de repente a vertigem do espanto. Sim, as palavras de tantos anos não eram mais veículo. Falavam línguas estranhas. Ainda insistiram, esperando. Mas os sons que um articulava nada significava para o outro. E esbarraram no silêncio.
                 Quietos na casa da primeira vez.
            Procuraram-se pelos olhos. Ensaiaram gestos. Aos poucos, um entendimento distante se fazia, substituindo conversas.
               A casa vestiu outra rotina. Cediam o passo diante da geladeira, entretinham-se em silêncio ocupados em si, já não brigavam. Encontravam-se à noite reconhecendo gemidos, e no espaço aberto pelo não falar moviam-se fáceis.
               Mais um dia, voltando da rua, ela o cumprimentou com a antiga naturalidade. Boa noite, e estendeu o rosto para o beijo.
               Vencendo rápido o susto, ele imprimiu no rosto luz de incompreensão e: 
               -Wrts? - respondeu.


Marina Colasanti

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cidade do México, 12 de setembro de 1939

Minha noite é como um grande coração batendo. São três e meia da madrugada. Minha noite é sem lua. Minha noite tem olhos grandes que olham fixamente uma luz cinzenta filtrar-se pelas janelas. Minha noite chora e o travesseiro fica úmido e frio. Minha noite é longa, muito longa, e parece estender-se a um fim incerto.Minha noite me precipita na ausência sua. Eu o procuro, procuro seu corpo imenso ao meu lado, sua respiração, seu cheiro. Minha noite me responde: vazio; minha noite me dá frio e solidão. Procuro um ponto de contato: a sua pele. Onde você está? Onde você está? Viro-me para todos os lados, o travesseiro úmido, meu rosto se gruda nele, meus cabelos molhados contra as minhas têmporas. Não é possível que você não esteja aqui. Minha cabeça vaga errante, meus pensamentos vão, vêm e se esfacelam. Meu corpo não pode compreender. Meu corpo quer você. Meu corpo quer esquecer-se por um momento no seu calor, meu corpo pede algumas horas de serenidade. Minha noite é um coração de estopa. Minha noite sabe que eu gostaria de olhar você, acompanhar com as minhas mãos cada curva do seu corpo, reconhecer seu rosto e acariciá-lo. Minha noite me sufoca com a falta de você. Minha noite palpita de amor, amor que eu tento represar mas que palpita na penumbra, em cada fibra minha. Minha noite quer chamar você, mas não tem voz. Mesmo assim quer chamá-lo e encontrá-lo e se aconchegar a você por um momento e esquecer esse tempo que martiriza. Meu corpo não pode compreender. Ele tem tanta necessidade de você quanto eu, talvez ele e eu, afinal formemos um só. Meu corpo tem necessidade de você, muitas vezes você quase me curou. Minha noite se esvazia até não sentir mais a carne, e o sentimento fica mais forte, mais agudo, despido da substância material. Minha noite se incendeia de amor. São quatro e meia da madrugada. Minha noite se esgota. Ela sabe muito bem que você me faz falta e toda a escuridão não basta para esconder essa evidência. Essa evidência brilha como uma lâmina no escuro. Minha noite quer ter asas para voar até onde você está, envolvê-lo no seu sono e trazê-lo até onde estou. Em seu sono você me sentiria perto e seus braços me enlaçariam sem você despertar. Minha noite não traz conselhos. Minha noite pensa em você, sonha acordada. Minha noite se entristece e se desencaminha. Minha noite acentua a minha solidão, todas as minhas solidões. O silêncio ouve apenas minhas vozes interiores. Minha noite é longa, muito longa. Minha noite teme que o dia nunca mais apareça, porém ao mesmo tempo minha noite teme seu aparecimento, porque o dia é um fio artificial em que cada hora conta em dobro e, sem você, já não é vivida de verdade. Minha noite pergunta a si mesma se meu dia não se parece com a minha noite. Isso explicaria à minha noite por que razão eu também tenho medo do dia. Minha noite tem vontade de me vestir e me jogar para fora, para ir procurar o meu homem. Minha noite o espera. Meu corpo o espera. Minha noite quer que você repouse no meu ombro e que eu repouse no seu. Minha noite quer ser voyeur do seu gozo e do meu, ver você e me ver estremecer de prazer. Minha noite quer ver nossos olhares e ter nossos olhares cheios de desejo. Minha noite é longa, muito longa. Perde a cabeça, mas não pode afastar de mim a sua imagem, não pode fazer desaparecer o meu desejo. Ela morre por saber que você não está aqui, e me mata. Minha noite o procura sem cessar. Meu corpo não consegue conceber que algumas ruas ou uma geografia qualquer nos separe. Meu corpo enlouquece de dor por não poder reconhecer no meio da minha noite a sua silhueta ou a sua sombra. Meu corpo gostaria de beijá-lo em seu sono. Meu corpo gostaria em plena noite de dormir e, nessas trevas, ser despertado com os seus beijos. Minha noite não conhece hoje sonho mais belo e mais cruel do que esse. Minha noite grita e rasga os seus véus, minha noite se choca contra o próprio silêncio, mas meu corpo continua impossível de ser encontrado. Você me faz tanta falta, tanta. E suas palavras. E sua cor.

Tua Frida


(a Diego Rivera)


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O Príncipe da Rosa





A Rosa surgi no mundo do principezinho, egoísta e vaidosa, e o toma para si,  aos poucos. Como um grande amor. Avassaladoramente, lentamente. A rosa queria que o principezinho ficasse com ela pra sempre. Mas amores vêm e vão. Necessitam dessa liberdade transitória para serem percebidos, real sentido. Cheia de medo da perda, fingi outros medos para requerer proteção ao amado, que por sua vez, quer buscar novos horizontes. Partida decidida, a rosa arrepende-se, e, orgulhosa, pede ao pequeno que se vá antes de vê-la chorar. Conforma-se. "É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas".

Sabemos que sempre partimos, mas a distância não nos tira aquilo que julgamos nosso, deixando assim, saudade.

"(...) É bem complicada essa flor!(...) Todos os amores são complicados! E mesmo sabendo de todos os erros, consequências e decepções, amamos. Sequer enxergamos os espinhos que a flor tem para se proteger, e enxergando-a fraca, caímos mais uma vez apaixonados. E longe, a saudade no faz perto, perto de tal forma que a lembrança ávida nos tortura, medo nos domina. 

E se os espinhos não forem o suficiente para que aquela que amo fique bem? Se alguma lágrima brotar, como brota em meio peito, a dor pode dilacerá-la. E quanto a mim, já não importa.

"O essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração" (Antonie de Sant-Exupéry)

Difícil é acreditar na imagem projetada pelo coração, já que este nos trai, se entregando pra outro. 

O pequeno príncipe volta para sua flor, que o ama, porque ele também a ama. E esta o ama a sua maneira, porque não sabe amar de outra forma. Entregando seu aroma, a beleza de suas pétalas e seus espinhos. 

"Não devia jamais ter fugido. Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar" (O pequeno Príncipe)



E lembra-te: 




Lembra-te também que "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

sábado, 16 de julho de 2011

Forte, lento , leve, cego e tenso

           Aquele gosto amargo do teu corpo ficou na minha boca por mais tempo. De amargo então, salgado ficou doce assim que o teu cheiro forte e lento fez casa nos meus braços, e ainda leve, forte, cego e tenso fez saber que ainda era muito e muito pouco... 
           Faço nosso o meu segredo mais sincero e desafio o instinto dissonante. A insegurança me ataca quando eu erro e o teu tormento passa a ser o meu instante. E o teu medo de ter medo de ter medo não faz da minha força confusão. Teu corpo é meu espelho e em ti navego. E eu sei que a tua correnteza não tem direção.
          Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor e insistir em usar os remos é o mal que a água faz quando se afoga e o salva-vidas não está lá porque não vemos.

Renato Russo

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Quer saber?

Eu queria cantar até perder a voz... Eu queria chorar ao pensar em nós. Eu queria ser fraco o bastante pra te perdoar. Eu queria sentar ao teu lado sem te perceber. Eu queria sentir tua angustia pra te entender. Mas quer saber, também dói em mim. Eu também queria não sofrer assim já que esse sofrimento não me leva a nada. Já que essa dor rasgante corta e fere a alma e eu perco a calma.  É a ausência incerta da presença tua. É como a porta aberta e a solidão da rua. E eu vou embora sem te ver chegar. E não jogo fora a chance de sonhar. 

E todas as coisas vão acabar



Quando eu vi você eu pude ler, ler dentro de seus olhos, destino confundido...
(Mas coisas estão prestes a mudar)
Engolindo as mentiras, não posso culpar você por pensar em seu coração.
#A7X

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Enverso

"Em algum lugar , longe de ti  alguém se arrependeu. Sigo os teus passos e , muda , eu fico sozinha, pois há quem já te perdeu. Um dia eu vou te ver e você vai me encontrar ao lado e tão distante procurando o meu lugar."

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sentimental

            "Se eu te falo assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se eu for direta, você me rejeitará"

Fere e Cansa: Sussurros

            Meus sussurros te carregam. Você cabe em meus sussurros. Você cabe em mim. E cabes tanto... Chega a doer. Você me doe! "É tanto amor que fere e cansa". E aí me vem coisas tão a tona, coisas d'alma. Sorrisos cansados, vozes quebradas, toques inertes, arrepios frios. Sempre me toca, e me fere. Não me toca e viro pó. Desmancho-me além. Além de um olhar. E choro... Um sorriso, vivo. E morreria pelo beijo. Beijo de afeto, desejo selado. Atravessaria e eu estaria lá, mesmo que tenha uma tempestade inundando minha morada que por ser tão cheia de ti, esquece de me tomar por essência. E nessa espera o mundo roda minha história. Eu ainda te sinto, vês? "Aaa! Como você me dói!" Percebes? 
            "Não há nada mais estranho do que amar alguém"

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Devoção

Quero ainda escutar seu sorriso
Cantos, força, fé, calor
Meu afeto mútuo, reciprocidade
Cruzando sensações em ardor

Porque me cativas, te necessito
Toque, chama, esplendor
Exalando ar que respiro
Poderias cuidar sem dor

Entrega-te porque me entrego
Algo visto, talvez transcenda
Se sentido, fortaleça
Amor que não renego

E por algo visto imprudente
Da solidão para teus braços me atiro
Quero-te, amo-te, suspiro
Transgressão à tempestade ardente

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dois barcos

Esperanças e expectativas
Buracos negros e revelações
Muito longe... O navio está me levando para muito longe..
Longe dessas lembranças que insistem em me derrubar.

São lembranças que se escondem
Como o sol se esconde nas nuvens
Não podemos perder nossos momentos felizes
Para as loucuras do universo

Loucuras fugazes, incansáveis, insaciáveis
Felicidade tonta, objeto, trofeu
Caminho dos barcos no pôr do sol
Desenhos abstratos do meu alarde
Expectativas, luzes
vaidade, neblina

Podemos enxergar uma disputa no céu
(Prólogo das nossas vidas?)
E eu nem consigo sustentar a dor
dessa disputa - nem pagar por ela,
mesmo que isso não seja uma guerra
Mas quem sabe eu não vá
nesse navio que parte.

Jéssica Nicolle & Luis Tertulino

(Pôr do sol, Muse, amigos, emoções)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Que lloro














Quedate un momento así,
No mires hacie mi que no podré aguantar
Si clavas tu mirada que me hiela el cuerpo
Me ha pasado antes que no puedo hablar.
Tal ves pienses que estoy loco
Y es verdad un poco tengo que aceptar
Pero si no te explico lo que siento dentro
No vas a entender cuando me veas llorar.
Nunca me sentí tan solo
Como cuando ayer de pronto lo entendi mientras callaba
La vida me dijo a gritos
Que nunca te tuve
Y nunca te perdi y me explicaba
Que el amor es una cosa
Que se da de pronto en forma natural
Lleno de fuego
Si lo forzas se marchita
Y sin tener principio
Llega a su final
Ahora talvés lo puedas entender
Que si me tocas se quema mi piel
Ahora talvés lo puedas entender
Y no te vuelvas si no quieres ver
Que lloro por ti
Que lloro sin ti
Que ya lo entendi
Que no eres para mi
Y lloro...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Cuida de mim

Para ler ao som de Cuida de mim do Teatro Mágico


Quando todo o sal for extraído do mar, eu permanecerei destronada. E quando eu estiver sangrando e seu dedo me acusar assim, tão agressivamente, haverá alguém para acreditar em mim, ouvir os meus apelos e cuidar de mim...
Como posso avançar a cada dia? Quem pode me fortalecer de todos os modos?
Onde estarei segura? Qual é o meu lugar neste enorme mundo de tristezas?
Às vezes, tremo no escuro, não vejo nada quando as pessoas me amedrontam. Tento me esconder, longe da multidão...
Cuida de mim...




Inspirada em Queen

domingo, 8 de maio de 2011

Loosing control

         Chuva caindo lá fora ... Uma vontade incontrolável de dançar ... E ela dança... contorce seu corpo cheio de desejo... A vida tem um jeito estranho de manipular as pessoas. São vários objetos e soldadinhos enfileirados como armas. E ela só quer dançar, sentir tudo implodir até explodi-la. Yeah baby, ela quer explodir... Tempestade continua... O calor dentro dela também! Chama acesa corroendo tudo. E ela só pensa em deixar tudo queimar. E sussura: Eu quero você! Agora! Se deixou tomar por completo. Se deixou respirar. Se deixou voar. Se deixou ir. Abriu as portas e lentamente caminhou de encontro a chuva. Água escorrendo pelo corpo pegando fogo. Sensação de prazer. O que ela quer. Arrepio frio. Leveza. Mente liberta. Corpo em movimento, baila no ar... Não dá pra controlar. Então, sente, interpreta, extrai toda a paixão. E a lua acoberta seus segredos. A noite silencia diante de tanta beleza exposta a tentação. E ela só quer dançar, e amar. Gira, mexe-se. Movimentos atordoantes, delirantes. Ela tem total poder em suas mãos. E eu estou desmoronando e me virando ao avesso. A quero. Mais do que tudo. Quero-a dançando pra mim. Me entregando sua paixão. Quero seu coração, sua alma, sua liberdade. Quero me perder ao fazê-la perder o controle. Ela se entregando a noite com a chuva lavando seu corpo. Eu me envolvendo, calado. Ela ecoa um grito na madrugada. Eu acordo febril e banhado em suor. Delírios. E eu a amo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Entre a ignorância e a sabedoria

Trecho do diálogo O Banquete, de Platão.



Ao ser indagado por Sócrates sobre os pais de Eros, o Amor, disse Diotima, uma sábia mulher de Mantinéia:

Diotima – Tudo o que é gênio está entre um deus e um mortal. (...) E esses gênios, é certo, são muitos e diversos, e um deles é justamente o Amor.

Sócrates – E quem é seu pai – perguntei-lhe – e sua mãe?

Diotima – É um tanto longo de explicar, disse ela; todavia, eu te direi. Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre os demais se encontrava também o filho de Prudência, Recurso. Depois que acabaram de jantar, veio para esmolar do festim a Pobreza, e ficou pela porta. Ora, Recurso, embriagado com o néctar – pois vinho ainda não havia – penetrou o jardim de Zeus e, pesado, adormeceu. Pobreza então, tramando em sua falta de recurso engendrar um filho de Recurso, deita-se ao seu lado e pronto concebe o Amor. Eis por que ficou companheiro e servo de Afrodite o Amor, gerado em seu natalício, ao mesmo tempo em que por natureza amante do belo, porque também Afrodite é bela. E por ser filho o Amor de Recurso e de Pobreza foi esta a condição em que ele ficou. Primeiramente ele é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e sem forro, deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos, a filosofar por toda a vida, terrível mago, feiticeiro, sofista: e nem imortal é a sua natureza nem mortal, e no mesmo dia ora ele germina e vive, quando enriquece; ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai; e o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece o Amor nem enriquece, assim como também está no meio da sabedoria e da ignorância. Eis, com efeito, o que se dá. Nenhum deus filosofa ou deseja ser sábio – pois já é –, assim como se alguém mais é sábio, não filosofa. Nem também os ignorantes filosofam ou desejam ser sábios; pois é nisso mesmo que está o difícil da ignorância, no pensar, quem não é um homem distinto e gentil, nem inteligente, que lhe basta assim. Não deseja, portanto, quem não imagina ser deficiente naquilo que não pensa lhe ser preciso.

Ainda que a imagem do Amor, no texto, refira-se a Eros, e não a Philía, os significados que estão em jogo nesse contexto aproximam o filósofo e a filosofia daquela posição intermediária entre a ignorância e a sabedoria, ocupada pelo Amor.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Que ainda não passou ...


E ela estava assim: Perdida. Não que realmente estivesse perdida em função do tempo e espaço. Estava perdida em si. Dentro de si. Cheia de confusões e aversões. Cheia de medo! Tá, para! Ela pensou. Tá tudo errado! Eu tô ao avesso! Preciso me tomar! Arrumou a mochila com seu casaco xadrez, dois vestidos, Objetos e peças íntimos, a inseparável maquilagem, o resto do perfume que ganhara dele, o esmalte vermelho que tanto ama, seu necessário Ipod, os dois livros preferidos de caio F e chocolates. Pensou em levar a Patita, e chegou até a colocar também o celular. Mas os trocou pela carteira que continha somente os documentos e o resto do dinheiro. Preferiu tirar os cartões, pois sabia que eles a achariam assim que os usassem. Suspirou, olhou pro quarto, e se foi. Preciso olhar o mundo com outros olhos... Quais seriam esses olhos? Ela não fazia idéia, mas, sabia que precisava enxergar por eles. Toda posse é temporária... Refletiu. Mas nunca o tratei como posse. Como pôde então, passar a pertencer a outra?  Isso a consumia. E, se diferente eu fosse, será que eu teria sido amada por ele?  Nunca saberemos. 

Chegou na parada de ônibus. Vou para o litoral. Morarei por lá, como sempre quis. E veio a memória a noite em que os dois decidiram morar juntos em uma praia, comprar uma prancha, dormir abraçados, e nos dias de lua, tocar violão. E viver felizes. Droga! Não trouxe meu violão! Lembrou. Sentou no meio fio, e mais uma vez suspirou. Dessa vez dando mais ênfase a tristeza do que a saudade ou o cansaço. Tirou o Ipod da mochila, colocou na playlist1 e passou uma por uma as músicas, buscando a que fosse perfeita para servir de fundo musical no momento. E encontrou. E chorou. E cantou. Cantou alto, com o coração. E cantou alto, com a alma. E chorou mais uma vez. E a música acabou. E ela continuou a cantá-la, embora tocasse outra completamente diferente no seu aparelho. "Triste é não chorar! Sim, eu também chorei. E não não há nenhum remédio pra curar essa dor que ainda não passou, mas vai passar. A dor que nos machucou" E chorou. E levantou-se. Viu um ônibus aproximando-se. Não o que ela esperava. Reconhecendo-o, os planos do momento se foram, e meio que automaticamente, subiu os conhecidos degraus escalados todos os dias. Tomou um assento, fechou os olhos e decidiu só abri-los quando o ônibus parasse. Durante o trajeto, conseguiu afundar sua mente num pretume que a impossibilitava de pensar em tudo que ocorreu. E assim, seguiu-se.

O destino a esperava. Decisões teriam de ser tomadas. Mas não ali, não naquela hora. Um pouco mais tarde, talvez. Redirecionou seu raciocínio as aulas do dia, que agora assistiria, já que estava indo rumo a faculdade, desejando que todas fossem de filosofia. O ônibus parou, abriu os olhos, sorriu e cantarolou uma última vez "Que ainda não passou, mas vai passar..." enquanto uma última lágrima escorria pelo seu rosto indo beijar sua boca.


Filosofia da simplicidade: A felicidade é uma ilusão

     O espírito do homem é feito de tal modo que pode ser dominado muito melhor pela mentira do que pela verdade. Mas, pode-se dizer, é um grande mal ser enganado. Há um pior ainda: não ser enganado. O maior de todos os erros é fazer consistir a felicidade do homem diante da realidade das coisas, quando essa realidade depende da opinião que dela se tem. Há tanta obscuridade, tanta diversidade nas coisas humanas, que nada se pode saber com clareza, como justamente afirmam meus acadêmicos, os menos orgulhosos dentre os filósofos. Se, por acaso, alguém chega ao conhecimento, com muita frequencia é à custa da própria felicidade.
  (...)
  Custa realmente muito pouco conquistar a felicidade ilusória de que falava. (...) Sua felicidade custa muito pouco. Basta um pouquinho de persuasão. E mais, muitos usufruem dela juntos.

Erasmo de Rotterdam em Elogio a loucura

sexta-feira, 29 de abril de 2011




Não espero nenhum olhar, não espero nenhum gesto, não espero nenhuma cantiga de ninar. Por isso estou vivo. Pela minha absoluta desesperança, meu coração bate ainda mais forte. Quando não se tem mais nada a perder, só se tem a ganhar. Quando se para de pedir, a gente está pronto para começar a receber. O futuro é um abismo escuro, mas pouco importa onde terminará a minha queda. De qualquer forma, um dia seremos poeira. Quem é você? Quem sou eu? Sei apenas que navegamos no mesmo barco furado, e nosso porto é desconhecido. Você tem seus jeitos de tentar. Eu tenho os meus. Não acredito nos seus, talvez também não acredite nos meus próprios. Não lhe peço que acredite em mim.


Caio Fernando de Abreu 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Filosofia da simplicidade: Confiança


• Confiança é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e simplesmente absorvendo-a; é o resultado do conhecimento sobre alguém.

Confiar se faz querer alçar vôo e deixar o outro ou o objeto em posse voar também, só para vê-lo voltar para nossos braços. É muitas vezes vista como um ato, uma prova de amor ou amizade para com alguém.  É lhe dado um valor, e esta se torna subjetiva por não poder ser medida. E esses valores são vistos de formas diferentes em culturas diferentes, nos dando pontos de vista diversos. Porém, sempre vamos continuar a necessitar confiar nos outros e enxergar a confiança com um elo ligando-a a sinceridade. E além da sinceridade, a confiança também está relacionada com a honestidade, lealdade e fidelidade. FIDELIDADE: Tão difícil de se manter, de se dar a quem se diz amar. Tão mútua e devia até ser recíproca! O fato é que uma vez cega, a luz se faz quando a confiança é quebrada. E uma vez quebrada, não se restaura. Talvez até possa se fazer uns remendos aqui, outros ali, mas será como um recipiente frágil de vidro que ameaça quebrar ao menor sopro. Jamais volta a marcar os 100%. Os traumas ficarão. Qualquer coisa serve pra te deixar em atenção esperando por mais uma traição, mais uma punhalada. É fogo queimando seu juízo, consumindo sua paz. É o bem-querer que se vai deixando mágoa. É o tempo que vem trazendo amparo e reflexão pra que não se importe mais com a dor. Nem tampouco com a suposta dor de quem causou rancor.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Crônicas parte II - Resgate pela amizade


Sabe esses dias em que você acorda com uma puta ressaca moral e super down? Pois é! Hoje foi um desses dias "premiados". Deixando o lado meio perua aflorar um pouco, tratei de levantar minha auto estima cuidando-me (mereço, não é?). Depois do aspecto físico renovado, a sensação de tudo ao avesso continua, porque sabemos que seria até hipocrisia e futilidade demais achar que é só fazer as unhas ou arrumar os cabelos e todos os problemas estão resolvidos. Nem dá! Não é assim! Dá um UP e talz, a mulher se sente poderosa, mas não é por aí. Pelo menos pra aquelas que visam o lado culto do ser. Pois bem, eis que essa sensação me perseguiu o dia inteiro a ponto de não me deixar concentrar nem no belo universo da química inorgânica de coordenação. Mas, Deus é maravilhoso e, logo mandou-me um dos seus anjos - aqueles que chamamos de amigos- para me socorrer e me dar um banho daqueles de água bem gelada com álcool 70% diluído, pra queimar bem a ferida e me fazer ver que as coisas não são bem do jeito que eu estava me detendo a enxergar. E funcionou! (Valeu Deus, brigadão) 
Um desses meus anjos, veio meio que querendo desabafar seus problemas existenciais socias (percebam: existencias devido ao fato de ser frustrações com o social mesmo, e não dores de cotovelo) e eu fiquei de cara, boquiaberta por perceber o quanto ela se parece comigo nas construções de visões e ideologias. E fiquei super feliz ao constatar que Ela tem a maturidade pra enfrentar as coisas que eu tanto precisei quando possuía a idade dela. 
O diálogo é sempre fundamental, e a troca de experiência então... Por isso, gostaria muito, muito mesmo de que todos aqueles que amo pudessem tomar como exemplo a minha vivência para que não sofressem como eu sofri, ou, não tivesse que suportar certas situações. Mas o ser humano só aprende levando na cara mesmo, é impressionante! Eu cresci ouvindo "ideologia, eu quero uma pra viver", "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã", "A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes" e tudo isso fazia muito sentido pra mim! Ainda faz, só que com uma nova roupagem. Nós crescemos e vemos tudo com outros olhos. As frustrações cotidianas te resseca. Dói quando você percebe que não basta "pregar" a música Pais e Filhos pra meia dúzia para as coisas mudarem. Tudo se transforma em compromisso para com a sociedade e em troca ela te devolve uma porrada de responsabilidade nas tuas costas. E vem o sufoco, preocupação, stress e mais uma vez, frustração. A gente se olha no espelho e dá até pra enxergar o diabinho falando "Você é um jovem que vive em um século onde pregam igualdade social, democracia e liberdade de expressão, mas a juventude tá pouco se lixando pra isso. Você não vai mudar o mundo, e as coisas não vão melhorar!" Sabe o banho que falei agora a pouco? As palavras do diabinho foram mesmo que um punhal dilacerando ainda mais a ferida ardida pelo álcool. Isso aconteceu inúmeras vezes comigo. E eu cheguei aqui, juntando caco por caco todas as vezes que quebraram meus sonhos, arrastando-me, sobrevivendo. Pra ser forte, acredita que o diabinho tinha razão, os seus ídolos estão em um passado bem distante, tranca a cara e fecha o coração pra o que há de vir. Sempre com um sorriso na cara enquanto sangra por dentro. Sempre querendo ser dona da verdade pra evitar que outros te pisem ou humilhem. 
Voltando a minha amiga, creio que vai ser um pouco diferente. Já houve as decepções e frustrações. Até o apelido que eu tinha de revoltada já colou nela também! Rsrs.. Porém, como já falei antes, a mesma dispõe de maturidade suficiente pra conduzir a situação, (Me mata de orgulho) e me deu injeções de ânimo para seguir em frente. E sabe qual foi a melhor parte? Usou as mesmas palavras que eu as disse na semana passada. Como é que pode alguém passar para outros tudo o que precisa ouvir, e não extrair de si? Muito complexo isso! Deixo pra Freud explicar. 
Agora, vou dormir renovada verdadeiramente. Me deram a mesma lição que sempre dei nos meus próximos. E mais, me fizeram enxergar que eu já mudei, já amadureci, já aprendi a ser mais humilde, já aprendi a escutar, já aprendi a falar. Aprendi também a ver todas as críticas de uma forma construtiva, extraindo de tudo um aprendizado. Aprendi a agradecer as pessoas no qual em outro momento, cheguei a odiar por não me dar conta de que tudo aquilo que faziam, era simplesmente pra me moldar e tirar o melhor de mim. Aprendi que é melhor dar a cara a tapa em determinados momentos, para depois dar a volta por cima  usando da persuasão como instrumento para mostrar meu valor.  Dormirei feliz também por saber que não sou a única a ver a autossuficiência como uma forma de autopreservação. Que não sou a única a achar que o amor não é feliz quando se é dado em quantidades  recíprocas, já que uma vez assim, passa a ser automático por não saber respeitar o limite do outro. Que o amor nos completa, nos transforma, e não nos toma de nós mesmos. 
Hoje, voltei a crer que o mundo pode mudar, as pessoas podem melhorar e podemos vencer se lutarmos juntos por um bem maior. Tudo isso graças a uma amiga.

ESSE É O GRANDE VALOR DA AMIZADE! 
Um amigo te resgata, te orienta e te traz de volta para si mesma, mesmo que a forma que ele opte para fazê-lo seja a mais dolorosa.

Obrigada Jailma Lopes (minha estreliinha *-*)  

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O pouco que sobrou

Eu cansei de ser assim , não posso mais levar

Se tudo é tão ruim, por onde eu devo ir?A vida vai seguir , ninguém vai reparar aqui neste lugarEu acho que acabou mas vou cantar pra não cairFingindo ser alguém que vive assim de bem
Eu não sei por onde foi. Só resta eu me entregarCansei de procurar o pouco que sobrouEu tinha algum amor. Eu era bem melhorMas tudo deu um nó e a vida se perdeuSe existe Deus em agonia manda essa cavalariaQue hoje a fé me abandonou

Marcelo Camelo

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Venenos diários




Sentimento de exaustão, indisposição, incompetência. Não, talvez não sejam as palavras corretas a se empregar nesse momento. Os sentimentos são os mesmos. Os adjetivos não. Incompreensão? Talvez! Por que não? Já não nos cabe mesmo compreender o que se passa. Só nos cabe espera e cansaço. Cansaço. E, cansaço. Adquiridos em buscas perdidas. Achados em tempos escassos gastos com esperas vãs. E como não esperar? Ouvi dizer por aí que há uma tal de autopreservação seguida de autossuficiência, que cura até depressão! Seria isso mesmo um cano de escape? Ser autossuficiente para manter sua autopreservação. Tenho dito, é fato! Consegue-se viver mais e em paz quando tentamos e paramos de esperar das pessoas aquilo que damos e não é recíproco. Se doar demais nunca foi saudável. Tudo em quantidade é veneno. 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Crônicas parte I - Encantos e Desilusões


Sempre me recordo das confissões , choros e lamentações das minhas amigas.
Todo mundo tem um fato amoroso para desabafar. Geralmente o transforma em tragédia, e com o passar do tempo, retoma sua vida e parte pra outra.
Particularmente, já até pensei em fazer uma tese sobre essas paixões avassaladoras e prematuras da adolescência e os casos e acasos das mulheres maduras.
Depois de algumas pesquisas, talvez tenha encontrado alguma explicação.
Toda mulher precisa criar experiência nos assuntos amorosos para futuramente, ser estável, sensata e decidida. O sexo feminino sente quando chega a hora de deixar as emoções para trás, dar boas vindas a maternidade e encarar a vida.
Os homens por sua vez, tendem a ser o inverso. Percebi que na fase eufórica da vida, todos acham que podem tudo. E quando entram na vida adulta, perdem o equilíbrio e se tornam dependentes da amada.
Na realidade, mesmo assim, ainda torna-se complicado de se entender. Até as minhas decepções não sei se vejo com clareza.
Ainda há muito a ser estudado e vai bem além da minha opinião.
E espero que na minha mera conclusão, eu tenha aprendido a lição e não caia mais nesses "vacilos".
"O bom da vida é namorar eternamente, mesmo depois de casados, para não perder o encanto, enxergar os defeitos e ir tudo por água abaixo."
Sábias palavras são estas citadas por uma velha amiga com desafetos. Na qual, talvez, concordarei um dia.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Encontro-me nesse momento congelada em um mundo ausente, mas, conformada em aceitar essas idas sem retornos previsíveis, embora a dor ainda atinja.


"Se as pessoas fossem realmente inteligentes, não se apaixonariam! Gênios não lidam com o amor meu bem!"
E você acredita que é possível sobreviver sem amor? Que conseguimos viver sem paixões, afetos?
Não! Acho que não! Nem sempre dá certo e talvez seja perda de tempo, mas eu acho que não!



domingo, 27 de março de 2011

...



ONTEM
Demonstrações expansivas de afeto não me fazem bem! Elas me traem, me enganam e me machucam. Me livro e elas me retomam. E quando corro de mim, corro pra me esconder, mesmo sem saber ao certo qual o motivo dessas fugas. Levo muita bagagem nas minhas emoções, paredes, versos e canções, distraindo aflições, encerrando provocações, mantendo especulações, abafando gritos e muito ardor com a total sensação da certeza de como você vai me doer. E sempre, sempre me sobra esse nó no peito que não consigo desatar nem desmanchar nas minhas fantasias escapistas. 

HOJE
Agora, depois de tantos choros e arrasos, consigo ficar defronte ao espelho e enxergar uma enorme capacidade de superação. Me olho e te vejo no âmago do meu ser e percebo que finalmente, após tantas análises, você está horrível! Não condiz mais com o retrato exposto na minha mente por tanto tempo. Agora jaz sem razão, repleto de sofreguidão, não tomas mais meu coração para ti. E eu descubro que não queria te fazer mal. Eu não quero me fazer mal. Não quero nada além de providências cuidadosas pra que você suma e não me volte mais.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A Matilde Urrutia



Senhora minha muito amada, grande padecimento tive ao escrever-te estes malchamados sonetos e bastante me doeram e custaram mas a alegria de oferecê-los a ti é maior que uma campina. Ao propô-lo bem sabia que ao costado de cada um, por afeição eletiva e elegância, os poetas de todo tempo alinharam rimas que soaram como prataria cristal ou canhonaço. Eu, com muita humildade, fiz estes sonetos de madeira, dei-lhes o som desta opaca e pura substância e assim devem alcançar teus ouvidos. Tu e eu caminhando por bosques e areais, por lagos perdidos, por cinzentas latitudes recolhemos fragmentos de pau duro, de lenhos submetidos ao vaivém da água e da intempérie. De tais suavíssimos vestígios construí com machado, faca, canivete, estes madeirames de amor e edifiquei pequenas casas de 14 tábuas para que nelas vivam teus olhos que adoro e canto. Assim estabelecidas minhas razões de amor, te entrego esta centúria: sonetos de madeira que só se levantaram por que lhes deste a vida. [Outubro de 1959]

Belíssima dedicatória de Pablo Neruda à sua senhora Matilde Urrutia. 
Nesse pequeno espaço, dedico a minha doce amiga Ana Emília, já que foi a mesma que me fez apaixonar por esses versos. 

sexta-feira, 18 de março de 2011

And I want you now

 Hysteria 
'          Muse
Isso está me aborrecendo
Me irrintando
E me torcendo todo

Sim, eu estou infinitamente
Desmoronando
E virando do avesso

Porque eu quero agora
Eu quero agora
Dê-me seu coração e sua alma
E eu estou me libertando
Eu estou me libertando
Última chance para perder o controle

Sim, isso está me envolvendo
Me modificando
E me obrigando a lutar
Para estar infinitamente
Frio por dentro
E sonhando que estou vivo

Porque eu quero agora
Eu quero agora
Dê-me seu coração e sua alma
E eu estou desabando
Eu estou me libertando
Última chance para perder o controle

E eu quero você agora
Eu quero você agora
Eu sinto meu coração implodir
E eu estou me libertando
Escapando agora
Sentindo minha fé se corroer

Quem vai dizer tchau?


"A gente não percebe o amor que se perde aos poucos sem virar carinho
Guardar lá dentro o amor não impede que ele empedre mesmo crendo-se infinito
Tornar um amor real é expulsá-lo de você pra que ele possa ser de alguém"

(Nando Reis)