Eu vi você. Nos outdoors espalhados pela avenida principal, refletindo nos artefatos do antiquário do centro comercial que gostávamos de frequentar. Você acreditava que comprar coisas antigas e usadas acabava deixando um pouco das outras pessoas em nós mesmos. Esquisito. Tanto tempo ao teu lado, dividindo o mesmo café, colchão e insônia, e nunca encontrei resquícios meus em você.
Te encontrei naquele mar-de-caco-de-vidro-de-raio-de-sol que você chama o por do sol no pier. Distante, intocável, indecifrável. Cabelo desgrenhado, barba rala e eu me perguntei onde encontro meu nome talhado ao teu. Talvez isso me fizesse acreditar que um dia você sonhou teu sonho igual ao meu sonho.
Não sinto aquela agonia desmedida que temia, nem tampouco preocupo-me com teus retratos entre os meus papeis e os teus cds na estante. Eles não me trazem você, nem me levam. E a agonia não me perturba porque tua falta não se faz, não me ocupa.
Eu só te estranho. E te estranho. Estranho o tempo , o fim e o início de tudo. Estranho esses "choques de mundos" que não gerou um ambiente capaz de comportar vida.
Não te estranho da mesma forma que te estranhava naquelas mensagens enviadas na madrugada com trechos da cartas de Frida Kahlo à Diego.
Ya no extraño. Só Estranho.


