sábado, 25 de fevereiro de 2012

‎"Passa tudo. Passam, diariamente, tratores metafóricos por cima de você. Até que todos os

dramas do passado tenham ficado para trás."


(Natália Raposo)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Solos



Tú me tienes olvidado, no responde al llamado, me condenas a la nada. Mira corazón cúanto te extrano...
           
Olho para todos os lados, avidamente, detidamente. Procuro em cada rosto traços do seu. Em cada passo que ouço no dobrar da esquina, ouço o som do seu incluso. Risos soltos pela praça, faróis acesos na avenida, cheiro solto atordoante que gruda e não larga. Tudo te traz. Tudo me remete a você.
            Tenho todos os espaços do meu ser preenchidos pela sua ausência. Preenchidos pelas lembranças das ligações que se perderam pelo tempo e não foram completadas, pelas mensagens que por algum motivo não foram enviadas, pelo boa noite que não mais foi desejado. Pelos planos que não foram concretizados. Tudo está ao contrário, sem nexo, solto no espaço, esperando sua invasão. Não há palavras, nem ditas, nem escritas, só silêncio, ensurdecedor.
            Passo cada noite e viro a madrugada pensando em te ligar pra compensar aquela chamada que não foi atendida, e te escrevo compulsivamente, te faço rabiscos, choro, borro todos, enxugo as lágrimas que não secam com o sol que nasceu. Respiro fundo. Peço forças pra abandonar a cama e te procurar mais uma vez nas redes, nas ruas, no meu peito. A cada frustrada busca, me aperta mais o coração e a garganta desatina a doer. E desejo, desejo muito, absurdamente te ver de novo e me jogar nos seus braços pra sentir o abraço que tanto necessito.
            Tu me vens jogando ao esquecimento. Nada posso fazer, mas saiba que dói. E essa madrugada está sendo mais traiçoeira e longa do que a passada e ao amanhecer, mais uma vez não terei forças, serei que não terei, por que dói. Muito. E tenho medo de dia após dia não estar no que você vê, que, diferentemente de mim, não te vejo por você não me permitir. E você vai se perder, pode se perder, até mesmo entre o que você busca paralelamente e contraditoriamente a busca que faço por ti. E tanto tempo terá passado quando essas procuras se tornarem cotidianas que minha ausência se fará presente, e dela não brotarão saudades. Você rasga o pulso pra doar sangue em troca de algo novo que traga vida. Eu rasgo o peito aos gritos pra que você saia de mim e eu possa voltar a ficar em paz.
              (...)
            A madrugada começa a se revoltar, cheia de sonhos quebrados e dor. Contorço-me na cama, dou voltas no quarto, me seguro a nada. E minha vida se arrebenta no ar. E à chuva que continua inundando a noite, peço que me afogue para não pensar em ti. Ou que aconteça um milagre que me leve ou te traga de volta.