Esperanças e expectativas
Buracos negros e revelações
Muito longe... O navio está me levando para muito longe..
Longe dessas lembranças que insistem em me derrubar.
São lembranças que se escondem
Como o sol se esconde nas nuvens
Não podemos perder nossos momentos felizes
Para as loucuras do universo
Loucuras fugazes, incansáveis, insaciáveis
Felicidade tonta, objeto, trofeu
Caminho dos barcos no pôr do sol
Desenhos abstratos do meu alarde
Expectativas, luzes
vaidade, neblina
Podemos enxergar uma disputa no céu
(Prólogo das nossas vidas?)
E eu nem consigo sustentar a dor
dessa disputa - nem pagar por ela,
mesmo que isso não seja uma guerra
Mas quem sabe eu não vá
nesse navio que parte.
Jéssica Nicolle & Luis Tertulino
(Pôr do sol, Muse, amigos, emoções)
sexta-feira, 27 de maio de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Que lloro

Quedate un momento así,
No mires hacie mi que no podré aguantar
Si clavas tu mirada que me hiela el cuerpo
Me ha pasado antes que no puedo hablar.
Tal ves pienses que estoy loco
Y es verdad un poco tengo que aceptar
Pero si no te explico lo que siento dentro
No vas a entender cuando me veas llorar.
Y es verdad un poco tengo que aceptar
Pero si no te explico lo que siento dentro
No vas a entender cuando me veas llorar.
Nunca me sentí tan solo
Como cuando ayer de pronto lo entendi mientras callaba
La vida me dijo a gritos
Que nunca te tuve
Y nunca te perdi y me explicaba
Que el amor es una cosa
Que se da de pronto en forma natural
Lleno de fuego
Si lo forzas se marchita
Y sin tener principio
Llega a su final
Como cuando ayer de pronto lo entendi mientras callaba
La vida me dijo a gritos
Que nunca te tuve
Y nunca te perdi y me explicaba
Que el amor es una cosa
Que se da de pronto en forma natural
Lleno de fuego
Si lo forzas se marchita
Y sin tener principio
Llega a su final
Ahora talvés lo puedas entender
Que si me tocas se quema mi piel
Ahora talvés lo puedas entender
Y no te vuelvas si no quieres ver
Que si me tocas se quema mi piel
Ahora talvés lo puedas entender
Y no te vuelvas si no quieres ver
Que lloro por ti
Que lloro sin ti
Que ya lo entendi
Que no eres para mi
Y lloro...
Que lloro sin ti
Que ya lo entendi
Que no eres para mi
Y lloro...
terça-feira, 10 de maio de 2011
Cuida de mim
Para ler ao som de Cuida de mim do Teatro Mágico
Quando todo o sal for extraído do mar, eu permanecerei destronada. E quando eu estiver sangrando e seu dedo me acusar assim, tão agressivamente, haverá alguém para acreditar em mim, ouvir os meus apelos e cuidar de mim...
Inspirada em Queen
Quando todo o sal for extraído do mar, eu permanecerei destronada. E quando eu estiver sangrando e seu dedo me acusar assim, tão agressivamente, haverá alguém para acreditar em mim, ouvir os meus apelos e cuidar de mim...Como posso avançar a cada dia? Quem pode me fortalecer de todos os modos?
Onde estarei segura? Qual é o meu lugar neste enorme mundo de tristezas?
Às vezes, tremo no escuro, não vejo nada quando as pessoas me amedrontam. Tento me esconder, longe da multidão...
Cuida de mim...Inspirada em Queen
domingo, 8 de maio de 2011
Loosing control
Chuva caindo lá fora ... Uma vontade incontrolável de dançar ... E ela dança... contorce seu corpo cheio de desejo... A vida tem um jeito estranho de manipular as pessoas. São vários objetos e soldadinhos enfileirados como armas. E ela só quer dançar, sentir tudo implodir até explodi-la. Yeah baby, ela quer explodir... Tempestade continua... O calor dentro dela também! Chama acesa corroendo tudo. E ela só pensa em deixar tudo queimar. E sussura: Eu quero você! Agora! Se deixou tomar por completo. Se deixou respirar. Se deixou voar. Se deixou ir. Abriu as portas e lentamente caminhou de encontro a chuva. Água escorrendo pelo corpo pegando fogo. Sensação de prazer. O que ela quer. Arrepio frio. Leveza. Mente liberta. Corpo em movimento, baila no ar... Não dá pra controlar. Então, sente, interpreta, extrai toda a paixão. E a lua acoberta seus segredos. A noite silencia diante de tanta beleza exposta a tentação. E ela só quer dançar, e amar. Gira, mexe-se. Movimentos atordoantes, delirantes. Ela tem total poder em suas mãos. E eu estou desmoronando e me virando ao avesso. A quero. Mais do que tudo. Quero-a dançando pra mim. Me entregando sua paixão. Quero seu coração, sua alma, sua liberdade. Quero me perder ao fazê-la perder o controle. Ela se entregando a noite com a chuva lavando seu corpo. Eu me envolvendo, calado. Ela ecoa um grito na madrugada. Eu acordo febril e banhado em suor. Delírios. E eu a amo.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Entre a ignorância e a sabedoria
Trecho do diálogo O Banquete, de Platão.
Diotima – Tudo o que é gênio está entre um deus e um mortal. (...) E esses gênios, é certo, são muitos e diversos, e um deles é justamente o Amor.
Ao ser indagado por Sócrates sobre os pais de Eros, o Amor, disse Diotima, uma sábia mulher de Mantinéia:
Sócrates – E quem é seu pai – perguntei-lhe – e sua mãe?
Diotima – É um tanto longo de explicar, disse ela; todavia, eu te direi. Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre os demais se encontrava também o filho de Prudência, Recurso. Depois que acabaram de jantar, veio para esmolar do festim a Pobreza, e ficou pela porta. Ora, Recurso, embriagado com o néctar – pois vinho ainda não havia – penetrou o jardim de Zeus e, pesado, adormeceu. Pobreza então, tramando em sua falta de recurso engendrar um filho de Recurso, deita-se ao seu lado e pronto concebe o Amor. Eis por que ficou companheiro e servo de Afrodite o Amor, gerado em seu natalício, ao mesmo tempo em que por natureza amante do belo, porque também Afrodite é bela. E por ser filho o Amor de Recurso e de Pobreza foi esta a condição em que ele ficou. Primeiramente ele é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e sem forro, deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos, a filosofar por toda a vida, terrível mago, feiticeiro, sofista: e nem imortal é a sua natureza nem mortal, e no mesmo dia ora ele germina e vive, quando enriquece; ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai; e o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece o Amor nem enriquece, assim como também está no meio da sabedoria e da ignorância. Eis, com efeito, o que se dá. Nenhum deus filosofa ou deseja ser sábio – pois já é –, assim como se alguém mais é sábio, não filosofa. Nem também os ignorantes filosofam ou desejam ser sábios; pois é nisso mesmo que está o difícil da ignorância, no pensar, quem não é um homem distinto e gentil, nem inteligente, que lhe basta assim. Não deseja, portanto, quem não imagina ser deficiente naquilo que não pensa lhe ser preciso.
Ainda que a imagem do Amor, no texto, refira-se a Eros, e não a Philía, os significados que estão em jogo nesse contexto aproximam o filósofo e a filosofia daquela posição intermediária entre a ignorância e a sabedoria, ocupada pelo Amor.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Que ainda não passou ...
E ela estava assim: Perdida. Não que realmente estivesse perdida em função do tempo e espaço. Estava perdida em si. Dentro de si. Cheia de confusões e aversões. Cheia de medo! Tá, para! Ela pensou. Tá tudo errado! Eu tô ao avesso! Preciso me tomar! Arrumou a mochila com seu casaco xadrez, dois vestidos, Objetos e peças íntimos, a inseparável maquilagem, o resto do perfume que ganhara dele, o esmalte vermelho que tanto ama, seu necessário Ipod, os dois livros preferidos de caio F e chocolates. Pensou em levar a Patita, e chegou até a colocar também o celular. Mas os trocou pela carteira que continha somente os documentos e o resto do dinheiro. Preferiu tirar os cartões, pois sabia que eles a achariam assim que os usassem. Suspirou, olhou pro quarto, e se foi. Preciso olhar o mundo com outros olhos... Quais seriam esses olhos? Ela não fazia idéia, mas, sabia que precisava enxergar por eles. Toda posse é temporária... Refletiu. Mas nunca o tratei como posse. Como pôde então, passar a pertencer a outra? Isso a consumia. E, se diferente eu fosse, será que eu teria sido amada por ele? Nunca saberemos.
Chegou na parada de ônibus. Vou para o litoral. Morarei por lá, como sempre quis. E veio a memória a noite em que os dois decidiram morar juntos em uma praia, comprar uma prancha, dormir abraçados, e nos dias de lua, tocar violão. E viver felizes. Droga! Não trouxe meu violão! Lembrou. Sentou no meio fio, e mais uma vez suspirou. Dessa vez dando mais ênfase a tristeza do que a saudade ou o cansaço. Tirou o Ipod da mochila, colocou na playlist1 e passou uma por uma as músicas, buscando a que fosse perfeita para servir de fundo musical no momento. E encontrou. E chorou. E cantou. Cantou alto, com o coração. E cantou alto, com a alma. E chorou mais uma vez. E a música acabou. E ela continuou a cantá-la, embora tocasse outra completamente diferente no seu aparelho. "Triste é não chorar! Sim, eu também chorei. E não não há nenhum remédio pra curar essa dor que ainda não passou, mas vai passar. A dor que nos machucou" E chorou. E levantou-se. Viu um ônibus aproximando-se. Não o que ela esperava. Reconhecendo-o, os planos do momento se foram, e meio que automaticamente, subiu os conhecidos degraus escalados todos os dias. Tomou um assento, fechou os olhos e decidiu só abri-los quando o ônibus parasse. Durante o trajeto, conseguiu afundar sua mente num pretume que a impossibilitava de pensar em tudo que ocorreu. E assim, seguiu-se.
O destino a esperava. Decisões teriam de ser tomadas. Mas não ali, não naquela hora. Um pouco mais tarde, talvez. Redirecionou seu raciocínio as aulas do dia, que agora assistiria, já que estava indo rumo a faculdade, desejando que todas fossem de filosofia. O ônibus parou, abriu os olhos, sorriu e cantarolou uma última vez "Que ainda não passou, mas vai passar..." enquanto uma última lágrima escorria pelo seu rosto indo beijar sua boca.
Filosofia da simplicidade: A felicidade é uma ilusão
O espírito do homem é feito de tal modo que pode ser dominado muito melhor pela mentira do que pela verdade. Mas, pode-se dizer, é um grande mal ser enganado. Há um pior ainda: não ser enganado. O maior de todos os erros é fazer consistir a felicidade do homem diante da realidade das coisas, quando essa realidade depende da opinião que dela se tem. Há tanta obscuridade, tanta diversidade nas coisas humanas, que nada se pode saber com clareza, como justamente afirmam meus acadêmicos, os menos orgulhosos dentre os filósofos. Se, por acaso, alguém chega ao conhecimento, com muita frequencia é à custa da própria felicidade.
Custa realmente muito pouco conquistar a felicidade ilusória de que falava. (...) Sua felicidade custa muito pouco. Basta um pouquinho de persuasão. E mais, muitos usufruem dela juntos.
Erasmo de Rotterdam em Elogio a loucura
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