Demonstrações expansivas de afeto não me fazem bem! Elas me traem, me enganam e me machucam. Me livro e elas me retomam. E quando corro de mim, corro pra me esconder, mesmo sem saber ao certo qual o motivo dessas fugas. Levo muita bagagem nas minhas emoções, paredes, versos e canções, distraindo aflições, encerrando provocações, mantendo especulações, abafando gritos e muito ardor com a total sensação da certeza de como você vai me doer. E sempre, sempre me sobra esse nó no peito que não consigo desatar nem desmanchar nas minhas fantasias escapistas.
HOJE
Agora, depois de tantos choros e arrasos, consigo ficar defronte ao espelho e enxergar uma enorme capacidade de superação. Me olho e te vejo no âmago do meu ser e percebo que finalmente, após tantas análises, você está horrível! Não condiz mais com o retrato exposto na minha mente por tanto tempo. Agora jaz sem razão, repleto de sofreguidão, não tomas mais meu coração para ti. E eu descubro que não queria te fazer mal. Eu não quero me fazer mal. Não quero nada além de providências cuidadosas pra que você suma e não me volte mais.





