sábado, 16 de julho de 2011

Forte, lento , leve, cego e tenso

           Aquele gosto amargo do teu corpo ficou na minha boca por mais tempo. De amargo então, salgado ficou doce assim que o teu cheiro forte e lento fez casa nos meus braços, e ainda leve, forte, cego e tenso fez saber que ainda era muito e muito pouco... 
           Faço nosso o meu segredo mais sincero e desafio o instinto dissonante. A insegurança me ataca quando eu erro e o teu tormento passa a ser o meu instante. E o teu medo de ter medo de ter medo não faz da minha força confusão. Teu corpo é meu espelho e em ti navego. E eu sei que a tua correnteza não tem direção.
          Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor e insistir em usar os remos é o mal que a água faz quando se afoga e o salva-vidas não está lá porque não vemos.

Renato Russo

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